quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Caos interno

Minha mãe e todos os deuses sempre disseram que ele era esquisito.  Fechado. Justo juiz
Eu, pouca atenção prestava aos comentários...
Agora, aqui estou eu diante dele...
e se eu tivesse prestado atenção???
será que ajudaria? acho que não.
Sei que sou filha de Zeus, uma deusa menor, mas deusa...
a troco do que fui raptada?
O que Hades quer em resgate?
Nunca soube que ele fosse um conquistador como meu pai.
Quando consigo me lembrar de quem dizem que sou me acalmo...
Mas não sou o que dizem...
Então me desespero...
Estou em pânico...
Tenho medo do que sinto aqui...
Tenho medo do que penso...
Tenho horror a permissão que ele me dá...
Sim, diferente dos outros meu desligamento não o irrita...
Onde estão os outros deuses que não batem nos portões desse reino?
Onde estão meus irmãos, meu pai e minha mãe?
Ouço os lamentos dela...por ela...a saudade insuportável que ELA sente...Uma mãe sem sua filhinha...uma sofredora ...
Sinto raiva. Estou em perigo real...
Todo mundo sabe que Hades garantiu que Prometeu tivesse suas vísceras comidas por um pássaro durante o dia e regeneradas durante a noite por anos...
e se ele resolvesse colocar alguém pra falar o tempo todo comigo exigindo que eu prestasse atenção...
outra vez, ela rouba a cena...
 Afinal, ela é mãe...e eu sou a fonte de onde ela suga a sua condição.
Longe da fala dela...
Mergulhada nos olhos e no silêncio dele...
Por mais paradoxal que seja: aqui eu respiro em paz...

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O início da Síndrome de Estocolmo....

Foi no final da manhã, naquele dia eu estava mais desligada que o costume...
Contam que eu brincava com as outras...
De verdade, eu nem ouvia o que diziam ou via o que elas faziam...
Sei que, de repente, ao meu lado o chão se abriu...
Corcéis negros corriam puxando uma carruagem...
Um ser vestido de negro me tirou do chão como se eu fosse sem peso...
Gritei de medo, espanto.
Com a mesma velocidade a terra se fechou.
Hécate foi a única que viu meu olhar de medo, espanto e surpresa...
O que estava acontecendo?
Pelo jeito parecia ser meu tio Hades repleto de fúria...
Por que? O que eu tinha feito e não me lembrava???
Como corriam os corcéis!
Com que tranquilidade ele os dominava...
e a mim, mantinha firmemente segura em seus braços, próxima ao peito...
Por mais estranho que possa parecer, relembrando, me senti segura...minha perna arrepiou...
O que eu estou sentindo? Sensações e sentimentos em turbilhão...
De súbito, tudo parou.
Ele desceu e me tirou da carruagem.
Olhei pra ele: meu olhar medo, terror e pânico...com pontas de curiosidade e surpresa...
Os olhos dele negros como a noite sem lua...
Emocionados...que tinha no olhar do soberano do subterrâneo???
eu tinha medo de identificar...
 Admiração?! Ternura?!Cuidado?!Desejo!? Amor?!
Por mim!?
Nada fazia muito sentido... só o meu medo.
Meu desejo de voltar pra perto do conhecido...
Aqui é escuro, mas revelador...
Aqui é aquecido, mas eu esperava frio...
Sinto medo, grito...Ele me olha, sem nada dizer.
O que quer comigo o Soberano do mundo avernal???
Pela primeira vez, estou longe de minha mãe...
E me sinto diferente...
Por mais estranho que possa parecer sinto sossego no ar que respiro...


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Olhando com outros olhos...

Enquanto caminho pelos campos com minha mãe vejo ao longe a confusão se armando...
Hera, minha tia e dona do mundo...
que não consegue manter o marido na linha, de um lado...
Afrodite, deusa do Amor, da Beleza...
mas também dos desatinos...do outro,
e Atena, a deusa nascida da cabeça do Pai Zeus,
uma guerreira em todos os sentidos...
Querem saber qual é a mais bela
E isso é assunto em todo Olimpo...
Fico quieta, tentando dar atenção ao assunto, mas não consigo...
(Os homens do futuro irão dizer que tenho déficit de atenção.) 
Parece que um príncipe humano vai resolver a questão.
Perdi o interesse...
Olho pra mim...
Eu sei que sou uma deusa estranha...
O meu poder vem do domínio sobre mim mesma, ser dona de mim...
O meu amor é dedicado ao deus que me leva a essa jornada...
Meu raptor, meu guardião e por fim meu amor...(sou o caso mais reconhecido da Síndrome de Estocolmo) 
minha luta é deixar de ser filha pra ser soberana do subterrâneo...
luto comigo e depois com minha mãe...
Como chora essa mulher, como me chantageia...passo seis longos meses com ela...
e curtos cento e oitenta dias em paz comigo no meu reino...
Agradeço o meu rapto todos os dias... 
A terra podia se abrir...
Hades aparecer como um louco dominando seus corcéis negros que puxam sua carruagem...
E pronto esse assunto de quem é a mais bela desapareceria...
Volto pra casa, essência...meu reino...
pra dentro...pro subterrâneo...
Pra que tanta luz, tanto sol se assunto é tão sem sentido??
...será que só eu vejo isso, de dentro da minha escuridão??

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Fantasia...Realidade...

Fantasia. Realidade. Onde começa um e termina o outro? Existe diferença?Parece que realidade tem haver com um acordo entre as pessoas do lado de fora e fantasia é o mundo interior...
A questão é que eu não gosto do acordo... por que o lado de fora é mais importante do que o de dentro? 
Parece que escolheram o pior para compor a tal realidade...
Não gosto do que eu vejo...
Gosto do que sinto, intuo, sonho, danço, olho com um olhar mais demorado livre de julgamento, mas repleto de encantamento...
No meu mundo Zeus, Netuno e Hades existem com igual força. Claro que Hades é meu soberano amado...
Com sua força furiosa, com seu amor transbordante pela justiça, com seu silêncio que me encanta...
Vestido de negro...andando com segurança no mundo avernal...
Nas profundezas do mundo e da minha alma...
Do lado de fora não o vejo...me sinto perdida sem a sua presença...
Hades, minha fantasia mais real...Senhor do subterrâneo que não se dobra a nada, nem a ninguém, impetuoso, dono de si...
Hades, de quem não falam por temor, o soberano quase que esquecido, que faz o que quer..
Hades, o meu amado que me leva pra casa, pra dentro de mim, pro silêncio, pro real...pra minha essência...
E o que pode ser mais real do que a minha essência?
Definitivamente, escolho a fantasia que me revela, me conecta, me faz viver e dançar à realidade que me engessa e me faz igual a qualquer mulher...