sábado, 29 de dezembro de 2012

Resmungando...

Hoje o silêncio do Averno está demais...
Não sei dele...
E pra ninguem adianta perguntar.
O soberano exerce o seu direito de ir e vir,
não dizer pra onde, nem quando.
Em algum momento ele vem
como se não tivesse ido,
como se não me fizesse falta!
Senhor do seu reino que faz o que quer!
Sentir saudades dele no Olimpo, machuca,
no Averno, não faz sentido!
Há dias não sei dele...
Já bordei,
fiz perfumes e unguentos,
meditei, dancei...
Sinto que estou desconectando...
Aos poucos estou indo pra outro mundo...
Nem Olimpo, nem Averno...
Minha fantasia:
um mundo onde Hades sempre está.  
   
      

sábado, 8 de dezembro de 2012

...do espaço sideral...

De um limiar qualquer,
vem a impressão do conhecimento.
Minha alma te reconhece...
Sem explicações, com transpancia. 
Encanta-se do brilho dos olhos,
do temperamento domado minuto a minuto,
da doçura disfarçada...
Senhor das profundezas,
amigo do oculto, do quase revelado...
Hades...
assustador  no mundo,
encantador na intimidade do Averno... 

domingo, 25 de novembro de 2012

Primeiro encontro


Escuridão sem fim...
Silêncio absurdo...
Sentir o estático e o movimento.
Que espaço é esse?
Que cheiro?
Sonho? 
Fántasia?
Realidade?
Instável.
Sentimentos novos,
novas emoções,
novas certezas,
novas crenças.
Como pode ser tão contraditório?
Tão paradoxal?  
Revela-se e 
torna-se invisivel quando quer...
Senhor do Averno.
Quase mortal no sentir...
Pertuba-me.
Encanta-me...
Entrego-me!  

domingo, 18 de novembro de 2012

"Coração de tempestade"

Um emaranhado de sensações que se traduzem em cores...
Um borbulhar pulsante de emoções.
Sinto-me um furação se formando no mar...
Que a costa se proteja!
Estou no limite.
Raios cruzam minha alma,
e saem pelos meus olhos.
Meu corpo, num dançar suave, engana,
atrai,
enfeitiça.
Os desavisados me admiram...
Prende olhares.
E no meio de tantos olhares,  
existe aquele que me vê.
Não se deixa enganar pelo aparente...
Encanta-se pelos raios e vem.
E sendo tão intenso quanto eu: 
Transborda-nos!         

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ausência


Quem é esse que me busca?
Percebo tua presença nos meus sonhos...
Sei que nos teus braços estão todos os abraços esperados...
Em tua boca, todos os beijos desejados...
O reconhecimento, que preciso,
nos teus olhos encontro!
Sinto teu sorriso cumplice antes do beijo... 
E teu cheiro me acalma...  
Teu jeito me chama, me desarma.
...como me dói as noites que não te sonho!
     

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Coisa de adolescente velha

Por que te desejo tanto?
Por que te quero e te amo?
Por onde anda teu beijo?
Longe?
Perto?
Só sei que grudado dentro de mim...
escrito na minha pele como tatuagem...
Gravado na minha alma como certeza:
existe alguem que ainda não se revelou!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Fervendo...

Te quero...
Te sonho...
E o tempo não passa.
E eu não volto, e nada acontece!
E continuo aqui.
Com a alma torcida de saudade,
e com um sorriso de Monalisa.
No qual Deméter acredita,
Afrodite e Eros riem
e eu não quero mais esconder. 
Vai chegar a próxima primavera,
mas esse outono não vem!!!
Estou impaciente,
irritada,
quero ir embora.
O que aconteceria se eu quebrasse o pacto?
Fui negociada...
Não me perguntaram o que eu queria...
Estou me cansando de ser cordata!


domingo, 2 de setembro de 2012

Longe de casa

Enfim o silêncio domina o Olimpo.
Deuses e deusas quietos...
Dormindo, amando ou talvez tramando.
O silêncio me invade e acalma...
Nada de sons, gritos ou lamurias.
O som sagrado do sossego...
Não consigo dormir.
Tantos deuses e deusas...
mas ninguém com quem partilhar 
o sentir, o sonhar, o perceber.
Minha alma já conheceu a solidão.
Aqui e agora vive em solitude
esperando o tempo do retorno ao Averno. 
A saudade escorre nas minhas entranhas,
oculta, guardada, escondida de todos...
Saudade da minha vida escolhida,
compartilhada em todos os sentidos
Ao lado do meu guardião, meu cumplice, meu amor.
Volto os olhos pra dentro,
e por alguns segundos estou em casa...
Sossego todas as vezes que lembro:
sou  de lá...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Corpo presente

...e esse tempo que não passa...
no horizonte Apolo passeia pelo céu,
e eu aqui.
Hoje já conversei tudo o que suportei...
Minha alma está distante...
Sinto falta das brumas do Averno,
do silêncio, da solidão.
Cansa-me tanto movimento,
tanta tagarelice...
tanta disputa.
No Averno se olha pra dentro,
aqui, pra fora...
E embora me seja proibido dizer:
saudades dos encantos Hades.
-Perséfone, você está conosco?
Sorrio. Mamãe jura que me tem.
Mas, de verdade:
estou com Hades,
no Averno. Em casa.
 

domingo, 26 de agosto de 2012

Verão...até quando?

Estou com saudades de mim.
Partes que são com Hades.
Pedaços que me fazem falta...
Que sem ele pouco brilham!
Saudade do incontido... do intenso...
Saudade do fogo... da entrega,
da falta de censura,
da cumplicidade além das palavras...
Saudade de segurar o punhal pela lâmina...
Partes de mim que guardo.
Saudade de quem eu sou com ele!
Quanto mais a cor da minha pele muda,
mais eu sinto falta de mim...
-Hélios, quanto tempo mais de verão?


terça-feira, 7 de agosto de 2012

Externo

Estou olhando em volta de mim mesma...
ainda me surpreendo com meu jeito.

No Olimpo ou no Averno tem perfume...
cremes e esmaltes.
Brincos e pulseiras.
Pachiminas e chapéus.
Batom e filtro solar.
Saias no joelho ou no pé,
e vestidos, sempre!!!

Gosto de cores, toque de tecidos e
conforto de sapatos queridos.
Gosto de cheiros...de incensos,
de flores no cabelo...
Sou vaidosa...
Muito...
Reconheço: sou assim e gosto!
Mas, esqueço de trocar de bolsa...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Brumas

Tudo tem limite...
Será?
E essa sensação de alguém perto?
Tão íntimo  que parece estar debaixo da minha pele...
Esse alguém  que eu não vejo, mas sinto.
Percebo sua presença todo tempo...
Meu amor sem rosto, mas com temperamento,
com presença. Encantador.
Capaz de ofuscar qualquer concreto.
Mantendo intocado por outros o seu espaço...
Enlouquecendo-me com sonhos e intuições.
Sempre presente!
O concreto difuso,
envolto em brumas,
que me faz passar por fria...
Por mais que eu queira não te esqueço...
Como esquecer o não acontecido??
- Perséfone, loucura tem limite!!!diz a minha razão.
Dou de ombros... Sou mais sensação e intuição que razão.

domingo, 22 de julho de 2012

Verso e reverso

Alguns dizem que ele usa vermelho,
Eu sempre vi negro... Deve ser jogo de luz.
Outros dizem que ele é duro, fechado, solitário.
Eu convivo com um deus justo,
que fala o que quer. Transparente.
Seu gênio intempestivo o precede,
veem a sua ação e esquecem da sua paciência. 
Contam o meu rapto,
mas não falam da conversa dele com Zeus...
Meu pai não quis brigar com minha mãe.
Sugeriu que ele  resolvesse...
A romã, ele me deu,
eu comi.
Seria eu tão tola a ponto de não saber:
se comer vai ter que voltar.????
Pensem o que quiserem!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Hades, o retorno

A terra estremece e se abre...
Deuses e mortais assustados!
 Alguns em pânico.
E o meu ser se alegra!
Sinto a força, a presença...
Ouço sua voz me chamando.
-Perséfone!
Conheço essa entonação...
Fico arrepiada!
Escondo o rosto atrás do véu para que não vejam meu sorriso...
Ele é terrível, faz de propósito.
Intimida do fundo do Averno,
passando pelas profundezas do reino de Poseidon
até as alturas do Olimpo,
quando fala assim.
Parece que vai derrubar o universo se for desafiado,
e vai mesmo, se alguém se atrever.
Nossos olhares se buscam...
Encontram-se. 
Confirmam: continuamos os mesmos.
Cúmplices, apaixonados.
...hora de voltar pra casa.






quarta-feira, 11 de julho de 2012

Vazio preenchido

Mais uma vez ouço os comentários:
-Deméter, temos mais um encantado por ela.
Sei que vai ser bom, de inicio.
Depois, a minha eterna decepção...
Aquela solidão acompanhada.
A falta é minha...
sou eu que sei que existe alguém pra mim;
sou eu que te busco em cada um que aparece.
E não te encontro.
Olho pra quem está diante de mim e me encolho.
Não quero e não posso me revelar como sou...
Por mais que eu queira...não é ele...
Em algum momento o encantamento vai acabar...
Por mais que eu queira de novo vai virar nada!
E eu vou continuar te esperando...
torcendo pra te encontrar nem que seja em sonhos... 
Afinal, eu ainda nem te vi...
Será que existes ou eu sou esquisita mesmo?!



sábado, 9 de junho de 2012

Possibilidades no Amor

Ilha de Lesbus...
é só nisso que se fala no Olimpo.
Em todos os cantos e todos os deuses,
e principalmente deusas.
Ártemis, minha prima, é só ouvidos...
Atena, também.
Uma ilha,
Uma poetiza que canta o amor entre mulheres...
E que amor é esse?
Amor amizade?
Amor companheiro de armas?
Ou amor como o que sinto por Hades?
Falam de um amor parceiro,
Comprometido, sensual, sexual...
Simplesmente amor entre iguais...
Iguais na intensidade, na inocência,
na sinceridade e por acaso...
duas mulheres.
Amor que desperta a fantasia e julgamento dos de fora...
Amor real pra quem vive...
...enfim AMOR!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Separação

...uma mulher chora a morte do parceiro...
Diante dos meus olhos passa a vida deles...
Apaixonados, cúmplices, implicantes...
Parceiros, amigos...
Sofro junto.
Percebo a partida do barco de Caronte,
Vai buscá-lo...
Meu coração doí, ouvindo o lamento sem fim...
Pressinto a chegada de Hades.
Silencioso, quieto.
Na nossa troca de olhar ele me percebe...
Vê que estou perturbada.
Então, ele ouve o lamento.
Hades, sussurro...
Nos meus olhos, na minha voz o pedido:
restitui a vida dele...
Sei que não devo pedir...
Corro o risco do não e da ira...
O olhar dele escurece...cruzei um limite...
Encara-me com firmeza...corri o risco...
Vou enfrentar a ira...
Ele vai receber o barqueiro...
e pra minha surpresa restitui a vida.
...no olhar dele a lembrança de que sempre nos separamos por seis meses, e isso doí.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Imperatriz

...de quem é o cetro?
O cetro é meu.
No averno, Hades divide o reino só comigo.
No Olimpo, 
Hera, Deméter, Afrodite brigam por ele.
Lá sou menina...deusa menor...Core.
Aqui, mulher. Soberana. Perséfone.
Meu cetro já foram meus livros,
Minhas sapatilhas de ponta...
Meu cetro se transformou em punhal,
muitas vezes em leque, outras em saia,
eventualmente pandeiro, rosa ou lenço,
mas quando vira véu...
eu me encontro de verdade.
Cetro que tomei de Deméter...
Ela jamais me daria...
Quanto tempo pra entender:
Não é porque é mãe
que vai me deixar brilhar...




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Punhais

Um quarto crescente no céu,
Dois punhais na terra
E eu...
A força dos punhais me chama.
Na superfície estou dividida... 
Mas, meu olhar me entrega.
Sei quem é bandoleiro...
Contemplo a luta.
Volto no tempo...
Menina, adolescente, mulher, feiticeira... 
Solteira, casada, divorciada, abandonada.
Pra essa lua: cigana livre.
Sou resgatada pelos golpes dos punhais e pelo seu olhar...
Ouço o momento...
Entrego-me a magia da dança.






quarta-feira, 9 de maio de 2012

Lições da descida

Eu tenho um punhal...com pedras vermelhas...
 alguns já me viram dançar tomada por ele...
Quando o deslizo pelo corpo
meu punhal puxa o fogo que circula em mim.
Relembra-me do poder que existe em mim...
Meu punhal me ensina a ser feiticeira...
a revelar o necessário,
a fazer misturas de cheiros...
a cortar o negativo 
e o que mesmo bom, não me convém.
Meu punhal. Minha vontade.
Minha força. Minha condição mais íntima de mulher...
Meu punhal vive atrás do meu leque...
Embrulhado em lenço fino...
Discretamente...

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Nova ordem

Flutuo no meio do espaço...
Olho em torno e vejo planetas e estrelas...
O silêncio sideral.
Tudo me encanta...
O tempo sem começo nem fim...
Espaço sem limites.
O sentir acima do ver...
O perceber sem barreiras,
Criticas ou julgamentos...
Nova ordem...
Ouço e vejo com a alma.
Um lugar onde sempre encontro você...
Mesmo antes de ver eu sempre soube que você existia...  
Eu e meu mundo paralelo,
Lugar onde respostas desafiadoras me acalmam...
Aqui sou naturalmente Perséfone...






domingo, 29 de abril de 2012

Cinza

Tudo cinza...
Não vejo o céu azul...o sol...nada.
Cinza, minha alma está vestida de cinza.
Um vazio no peito que nada aqui preenche.
A eterna certeza: não sou daqui.
Essa não é a minha casa,
nem minha família.
Tanta luz e tanta desconexão...
A minha casa descobri no seu abraço,
e a minha família é a filha que a vida me deu...
Eu te reconheço apesar das minhas limitações,
mas não sei se sou reconhecida em plenitude...
Estou cada dia com menos força...
Cansei de lutar pelo que é meu por direito:
Nós dois: um.
E o dia segue cinza...
mas teimo em apostar:
vou ser reconhecida...
vamos juntar a família...
curar as feridas causadas pelas ausências indesejadas...


terça-feira, 24 de abril de 2012

Sintonia

Espreguiço... olho em torno...
Onde estou?
No Olimpo ou no subterrâneo?
Sinto-me inteira...
nem lá...nem cá...aqui.
Ouço o meu silêncio.
Suave. Intenso. Presente!
Relaxo.
Pouco importa o onde externo...
Minha alma descansa em mim.
Fecho os olhos, pouco importa onde está meu corpo...
Abrigo da minha alma,
Sintonizado com ela sente-se também inteiro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vera, Luciana e Betinha

A estrela: a moça com um pé na terra e outro na água...
A força: a donzela que segura o leão
E eu, 
que temos em comum?
Terra e água.
Pureza e instinto.
Dança e Psicologia.
Necessidade de integrar...
Juntar pedaços do que sempre foi UM...
Por fim  à uma escolha desnecessária.
A dança me revela o instinto...
A psicologia me suporta como a terra...
E com a transparência da água me movimento pela vida.
Hoje... vou dormir mais inteira.









quarta-feira, 18 de abril de 2012

Filosofando sem compromisso

Pensamentos soltos...
nada me interessa por mais de um segundo...
tudo parece tediosamente repetitivo.
As mesmas conversas,
as mesmas crises e alegrias.
Como é possível continuar dia após dia nessa mesmice?
E querem que eu me conecte com isso???
Eu não quero conseguir...
Minhas sensações e sentimentos se renovam a todo instante.
Como a vida pode ser estática? Repetitiva???
O que é a vida?
O que o meu corpo e alma sentem... percebem...
ou essa repetição sem fim?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Deméter, fui!

No meio da escuridão
um brilho se esgueira de forma fortuita...
Ouço o sussurro: existe escolha.
 Meu anjo repete: existe outra via...
Pode ser de outro jeito????Como sair daqui???
Minha alma está fechada.
Esqueci que sou um ser no espaço tempo
Esqueci  Richard Bach,
Taiguara, Frejat, Florbela Espanca.
Amigos da minha alma!
Uma saia rodada, uma música,  meu punhal.
Depois, meu véu e meu leque.
Dançando e chorando me reencontrei.
E junto com Leone sussurro...
"Hoje estou de volta à vida. Aos amigos, aos sorrisos sob o sol".
Minha lealdade à Deméter termina aqui, agora!
Escolho-ME.
Neste instante o brilho se concretiza:
... um olhar encantador: o meu.







quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nem sempre bonitinha

Secou...
Nada se traduz em palavras.
Virei um poço de sensações, sentimentos.
Vejo imagens que não viram palavras,
nem sons...
Não sei o nome...
não consigo descrever.
Só sei que não é vazio, deserto com certeza!
Triste, não.
Deserto...
árido, solitário...
acalma e por instantes belo!
E aqui, descanso do absurdo da distancia...
Volto pra dentro de mim e quase me reconheço.
Confusa...
Absurda...
Refratária...
...mais um pedaço de mim,
indecifrável no momento...
ao menos reconhecido:
Isto também sou eu: Perséfone.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Longe daqui e de tudo

Vontade de nada.
Desejo silêncio.
Sem luz.
Silêncio: nada dizer e muito menos ouvir.
Quietude.
Solidão.
Que tudo se feche em torno de mim...
Não ver e não ser vista.
Na minha cama: meu corpo e minha alma cansada.
Meu espirito, por aí, vagando...
Em busca de mim.

sábado, 31 de março de 2012

Partilha

Meu peito dói.
Não sei por qual razão...
Repasso meu momento e tudo está bem.
De quem é essa dor?
Subitamente teus olhos estão diante de mim.
Tristes, cheios de lágrimas...
Uma pedra de gelo no peito...
Não sei como  alcançar-te .
Nem sei se o que sinto é real....
Sinto um mar de dor que me engole.
Aperta cada pedaço do meu ser...
Minha alma se perde numa dor que não é minha.
Desespero e solidão...
Contemplo... e rezo ao Eterno...
Que vele por ti,
Que te acompanhe na escuridão...
Minha alma se entrega ...
Silenciosamente em um abraço...
não sei se  me sentes...
Nem sei se o que percebo é real...
Essa é a dor de ser Perséfone.











domingo, 25 de março de 2012

Traidor

O espelho devolve meu olhar...
Será que você vê o que eu acredito mostrar?
Meus medos, desejos, fantasias...
Esperanças.
Meu olhar é traidor...
Sempre brilha quando eu me encanto...
Escurece quando tenho raiva...
Suaviza expressando amor...
Neutro, nunca!
Revela o que eu quero e
muitas vezes o que é intimo ao extremo.
E uma vez atraído meu olhar permanece...
até decifrar, entregar...
Fugir, não.
Se os olhares fogem...
entregam mais do que quando se sustentam...
Quando sustentam contam estórias,
fazem promessas, seduzem,
acariciam...beijam.
Quando os olhares se encontram
destravam o dique da emoção...
do desejo escondido.
Olhares não mentem...
Sentimentos assumidos sem palavras.
Afinal, qual olhar se traiu primeiro?
O meu?
O seu?
Pouco importa. Revelamos!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Lado B

Estou de peito aberto
De frente pra o que a vida mandar.
O que vai ser?
A realização dos sonhos
Ou concretização dos temores....
Já tive uma vida segura.
Sem sustos. Sem arrepios de paixão.
Sem desejos. Segura.
Sufocante de tão chata.
E o peito fechado,
Defendido da vida,
mas vivendo uma dor sem fim.
Um mundo sem sonhos.
O sorriso não chegava no olhar.
O corpo tinha esquecido que gostava de dançar.
A alma  não ouvia  música.
Corpo e alma divorciados...
Como se isso fosse possível!
Um tempo de vida seguro
Que me dilacerou todos os segundos.
Hoje sou feita de incertezas...
de música, sorriso, dança, 
lágrima, olhares intensos...
arrepios, sonhos, desejos.
E alguns sustos...
Tudo faz parte da vida...

domingo, 18 de março de 2012

Despudoradamente

.. . A batida da música no ritmo do coração
Que liberta a alma,
leva o corpo para outras dimensões...
A distância mantida pelo bom senso desaparece. 
O olhar passa a dizer o que quer, 
perde por completo o pudor.
Olhares que se perdem e se encontram...
Revelando o que a voz cala.
Ao longe ouço o trincar das muralhas...
A firmeza do olhar martela sobre elas...
e mais uma trinca...
Mais uma vez o escondido se revela...
Despudoradamente! 
A dança parece um sussurro...
Os corpos obedecem cegos ao olhar que recebem...
Qual olhar incitou...pouco importa...
Capturei o brilho...
A pergunta.
Respondemos sem deixar dúvida.
Fui acariciada e com eles acariciei.
O que vale é a intensidade da resposta...
Cada desejo demonstrado...
O beijo que paira...avisando que vai se impor.
Independente.



quinta-feira, 15 de março de 2012

Encantador...

Um olhar que me prende,
Me poem tonta...
um jeito de ser atemporal.
Presente.
Em alguns momentos discreto,
outros, sendo o centro do mundo!
Desperta a minha curiosidade em todos os sentidos...
em alguns momentos trancado,
de repente, aberto
tornando possível ler a sua alma.
E  me atraindo...
Assim é o homem encantador.
Real. Concreto.
Traz em si um pedaço de cada deus do Olimpo...
Suas conquistas, suas perdas, suas feridas...
Suas transgressões.
Encantadoramente imperfeito!
...Lamentavelmente as mulheres ainda acreditam no príncipe...
E assim vão machucando os homens encantadores...


terça-feira, 13 de março de 2012

Corpo/Alma

Respira...
Deixa a alma entrar em sintonia com o corpo...
E tudo em torno flutua.
O corpo perde peso,
e o sutil toma corpo...
 cheiro...
 voz...
Respira...
O olhar...
do corpo ou da alma?
Entrega
de corpo ou de alma?
o que acontece 
no corpo e na alma.
Respira.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Outra vez...

Cansei do barulho de fundo,
Parece estática...
Deixa a vida acontecer
Que aconteça o meu maior desejo,
O maior desespero,
O que mais temo...
O que mais espero...
O que sonho todos os minutos...
O que fantasio agora: beijos.
Que a vida venha e dê a rasteira inesperada...
Que traga a realização ou
Frustração do medo, do desejo...
Desisti de lutar com meus fantasmas....
Entrego-me nos braços do sonho...
Flutuo no encontro...
Que me veja como sou...
-Perséfone?
... não sei que prazer sentem ao me chamar.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Outra vida

Noite de lua cheia, céu estrelado.
Fogueira acesa...música...
Pessoas batendo palmas,
Saias coloridas que voam.
Homens. Mulheres. Jovens e velhos. Juntos.
Crianças de todos.
Aos meus olhos: festa.
Pra eles: estilo de vida.
Nômades. sem documentos...
Sem deus para temer, além da Natureza para reverenciar.
Que pessoas são essas?
Barulhentas e silenciosas.
Livres e ciumentas.
Intensas...
Por uma fração de tempo danço com eles...
Sons de castanholas e pandeiros me levam...
Violões, violinos e voz me incitam....
Descubro o prazer do instante vivido!
- Perséfone?!...continuo aqui ...
em meio ao mexerico dos deuses.