Ilha de Lesbus...
é só nisso que se fala no Olimpo.
Em todos os cantos e todos os deuses,
e principalmente deusas.
Ártemis, minha prima, é só ouvidos...
Atena, também.
Uma ilha,
Uma poetiza que canta o amor entre mulheres...
E que amor é esse?
Amor amizade?
Amor companheiro de armas?
Ou amor como o que sinto por Hades?
Falam de um amor parceiro,
Comprometido, sensual, sexual...
Simplesmente amor entre iguais...
Iguais na intensidade, na inocência,
na sinceridade e por acaso...
duas mulheres.
Amor que desperta a fantasia e julgamento dos de fora...
Amor real pra quem vive...
...enfim AMOR!
...uma mulher chora a morte do parceiro...
Diante dos meus olhos passa a vida deles...
Apaixonados, cúmplices, implicantes...
Parceiros, amigos...
Sofro junto.
Percebo a partida do barco de Caronte,
Vai buscá-lo...
Meu coração doí, ouvindo o lamento sem fim...
Pressinto a chegada de Hades.
Silencioso, quieto.
Na nossa troca de olhar ele me percebe...
Vê que estou perturbada.
Então, ele ouve o lamento.
Hades, sussurro...
Nos meus olhos, na minha voz o pedido:
restitui a vida dele...
Sei que não devo pedir...
Corro o risco do não e da ira...
O olhar dele escurece...cruzei um limite...
Encara-me com firmeza...corri o risco...
Vou enfrentar a ira...
Ele vai receber o barqueiro...
e pra minha surpresa restitui a vida.
...no olhar dele a lembrança de que sempre nos separamos por seis meses, e isso doí.
...de quem é o cetro?
O cetro é meu.
No averno, Hades divide o reino só comigo.
No Olimpo,
Hera, Deméter, Afrodite brigam por ele.
Lá sou menina...deusa menor...Core.
Aqui, mulher. Soberana. Perséfone.
Meu cetro já foram meus livros,
Minhas sapatilhas de ponta...
Meu cetro se transformou em punhal,
muitas vezes em leque, outras em saia,
eventualmente pandeiro, rosa ou lenço,
mas quando vira véu...
eu me encontro de verdade.
Cetro que tomei de Deméter...
Ela jamais me daria...
Quanto tempo pra entender:
Não é porque é mãe
que vai me deixar brilhar...